Artigo de Opinião para o "Jornal LUZ" em Agosto.2019
Chegou o verão a Ansião…e com
ele, uma dinâmica popular que vai muito além daquela imagem que todos temos
sobre esta estação do ano. Não, verão não é apenas sol, mar, praia, férias,
descanso…verão é todo um contexto com uma abrangência social e um impacto no
bem estar coletivo brutais (“tomara que fosse verão o ano inteiro”). Não quero
usar este artigo para dissertar sobre o tempo esquisito e inconstante que temos
tido e que se contradiz com a estação do ano que estamos a viver, altamente
desvirtuado daquilo que sempre foi o nosso status
quo meteorológico (calor seco de Junho a Setembro) até porque para isso
teríamos de entrar no campo das alterações climáticas – tema moda por estes
dias – em que já todos perceberam que é uma realidade…está a influenciar o
mundo – vejam as temperaturas em países europeus a bater recordes – mas ninguém
se importa e assobiamos todos para o lado (“não
é a minha atitude pessoal que vai fazer mudar algo tão grande”), não! Quero
usar este artigo para homenagear os homens e mulheres, mais ou menos jovens,
que fazem desta época em Ansião uma ode coletiva ao reencontro, ao festejo, à
tradição e à felicidade. Sim, Ansião deve ser caso único nas dinâmicas associativas e da expressão organizada da sociedade, com uma intervenção dos
cidadãos de tal ordem que só nos pode deixar a todos muito orgulhosos na forma
como exercemos a cidadania na nossa terra. Se durante todas as restantes
estações do ano assistimos a uma dinâmica ímpar nas mais variadas valências do
nosso património coletivo (cultural, recreativo, desportivo, folclórico, entre
outras) chegados ao verão (época comumente caracterizada como sendo de férias,
de descanso, de folga) seria de esperar que essas dinâmicas deixassem de se verificar
para dar lugar a umas merecidas pausas dessas centenas de voluntários que
enchem o concelho de cor e movimento ao longo de 8 meses…mas, o que é que
acontece na realidade? Alguns desses voluntários tomam as suas bebidas
energéticas, arregaçam as mangas e dão corpo às festas e festinhas, arraiais,
solenidades e celebrações que enchem de cor e música todo o santo fim-de-semana
deste verão aqui, ali e acolá! Mais do que praia, mais do que férias, em Ansião
“Verão” é sinónimo de boas vindas, pela mão de um abraço gigante de todo esse
voluntário e de todo esse espontâneo trabalho promovido por tantas e tantos de
nós. Bem-vindos emigrantes, migrantes e visitantes…bem-vindos aqueles que vêm
por bem! Bem-vindos amigos de longa data, amigos do coração, amigos da vida e
amigos do cervejão…aqueles que vemos 1 vez por ano – naquela festa, naquele
arraial; aqueles que nos ajudam a recordar aquela memória coletiva; aqueles que
nos ajudam a viver este nosso verão como mais ninguém vive, com reencontro, com
partilha, com amizade, com festa, com amor e muitas gargalhadas. O Verão em
Ansião é algo, de facto, único. Porquê? Porque o ansianense é gente de bem e de
uma entrega abnegada brutal ao próximo; porque nos orgulhamos de manter as
nossas tradições de pé; porque nos orgulhamos em proporcionar todos esses
reencontros a quem conhecemos e a quem nunca vimos; porque nos orgulhamos em
bem receber, ano após ano, todos os nossos emigrantes e migrantes; porque nos
orgulhamos da nossa terra e porque somos, efetivamente, diferentes de todos os
outros. O ansianense é mesmo um povo de raça única. E é por isso que somos os
melhores. Não interessa se os outros nos reconhecem isso ou não…para nós, basta
aquele sorriso e aquele obrigado que vemos espelhado nos rostos de quem nos
visita e de quem aparece na nossa festa, no nosso arraial, no nosso evento. Não
há verão como o de Ansião e não há ninguém como nós, mesmo que só nós o
saibamos. No final, o que importa é sermos felizes.
Bruno GOMES MARTINS
