Relativamente à governação sócretina, e para avivar a
memória dos mais incautos, eu até poderia relembrar que observámos o pior crescimento económico dos últimos 100
anos; que alcançámos a pior dívida
publica (em % do PIB) dos últimos
170 anos (mais que 100% do PIB...ou seja, o que produzíamos não era
suficiente para fazer face ás nossas despesas – isto sem contar com as dívidas insustentáveis criadas pelas empresas
publicas á época, que representariam mais 25% do PIB nacional, nem com os 60 Mil Milhões€ das PPP’s, ou seja,
mais 35% do PIB adicionais _ PAGUEM GERAÇÕES VINDOURAS);
poderia até relembrar, igualmente, que alcançamos a maior dívida externa dos ultimo 130 anos (com reflexos no valor de
hoje, claro, porque as tais PPP’s continuam a ter de ser pagas com um aumento
gradual da sua percentagem de amortização) ou que alcançamos com Sócrates a maior percentagem de dívida externa brutade
sempre (em 1995 era de 40%, no final do Governo Socialista era de 230%);
poderia ainda relembrar que no período
Sócrates tivemos défices da balança corrente que rondaram os 10% do PIB
(hoje invertida, felizmente) e um peso do estado que atingiu os 50% do PIB
(sabemos todos o que isto significa certo?!)....podia relembrar tudo isto e
muito mais! Fácil seria, dessa forma, percebermos como, aos poucos, fomos
construindo uma imagem de despesistas, que culminaria num aumento, até valores
insustentáveis, das taxas de juro da dívida portuguesa (quem de nós iria
emprestar dinheiro a outro, quando este demonstrava, claramente, incapacidade
de solvência dos seus compromissos?! Pois...basta personificarmos todo o
teatro) e que, por sua vez, obrigariam o
Sócrates e o seu lacaio a pedir ajuda externa – a tal TROIKA (não podemos
esquecer que Portugal não produzia, nem produz atualmente, o suficiente para se
sustentar, logo tem de pedir dinheiro emprestado; e como ninguém dá nada a
ninguém...temos de pagar os tais juros)
Se é verdade que o povo
tem memória curta (eu arrisco a dizer...sem memória: viva o presente, que o
passado já lá vai, e o futuro é das crianças e não meu), não menos verdade será
dizer que vivemos num constante e profundo estado de negação tal, que ou não
queremos aceitar os fatos, ou então somos mesmo totós e temos apenas o país que merecemos. Cada qual escolhe o barrete que
melhor lhe serve...(os restantes vão mantendo os olhos abertos e, de forma
sensata e coerente, preferem não se resignar e vão alimentando o seu estado de lucidez
precisamente com a insensatez dos demais – portanto, usam boné ou simples
chapéu).
Falo pois do episódio “Detenção
de Sócrates” (que, diga-se em abono da verdade e congruência, não se deveria ter tornado mediático ao
ponto que se tornou...ainda que, impere o bom-senso, tratando-se do Sócrates, um
ex-Primeiro Ministro, tal seria impossível e todos sabem disso) e dos
devaneios, loucuras e desprezíveis atos de condicionamento da opinião publica que
se lhe seguiram, quer nas redes sociais, quer nos media (esse intocável mundo de sensatez, profissionalismo e isenção
jornalística que é o caso português).
Lêem-se, pasme-se, comparações de Sócrates (ministro) ao,
também ele ministro, Sebastião José de Carvalho e Melo (aka Marquês de Pombal)
(e aqui, sinto extrema necessidade de usar um estrangeirismo bem significativo:
WTF?!) ou mesmo (minha nossa senhora) ao Nelson Mandela (sim, houve quem
comparasse o Sócrates ao Nelson Mandela). E aqui relembro com saudade a minha
infância e a assídua leitura que fazia de Uderzo & Goscinny para adaptar
uma frase das suas personagens maiores à realidade portuguesa atual: “são loucos, estes portugueses”.
Sem querer entrar em grandes pormenores (pois far-me-ia invadir
o campo da obscenidade intelectual e da incoerência brutalmente assumida, de
forma desavergonhada, por grande parte de muitos comentadores e opinion makers da praça portuguesa – e
aqui, surge-me um outro estrangeirismo: bulshit
para eles), a verdade é que ninguém
está acima da lei – pedra basilar de uma sociedade livre, justa e
democrática.
E portanto, se não bastasse o estilo de vida “novo rico”
(incomportável para alguém que recebe um salário de político) a casa na Braamcamp, a casa em Paris (quantos milhões custou
mesmo?!), a off-shore em nome da família (20.000.000€ correto?!) com o nome
“Medes Holding LLC (sim, aos distraídos, esta off-shore existe e é dos tios do senhor) ou até mesmo não tivesse
sido Sócrates um dos principais beneficiários das amnistias fiscais decretadas pelos seus próprios governos para quem
tinha dinheiro no exterior (maior parte do dinheiro dele que entrou com o
perdão fiscal de 2010 veio da Suíça – off
quê?!) – e aqui, é gritante o abuso de poder em benefício próprio – para limpar
a remela dos mais distraídos e para fazer soar o alarme dos menos crédulos
(serão ingénuos a esse ponto?!), então não sei o que possa ser, nem entendo
tamanha insensatez que motive alguém continuar a defender tal sujeito (ou pelo
menos, pôr as mãos no fogo por ele sem conhecer o take-over final). E se existem mais como ele (venham de onde
vierem), só tem é de ser julgados da mesma forma, doa a quem doer. Ponto!!!
Relativamente aos comentários de muitas meretrizes ofendidas da praça pública:
vejam lá se os vossos rabos não estarão igualmente escaldados...
Detenção
humilhante para alguém que exerceu as funções de Primeiro Ministro de
Portugal?!
Humilhante foram os 90 Mil Milhões€ (valor por alto!!)
gastos em PPP’s, ou o pedido de resgate internacional (vulgo, TROIKA) dos quais
este senhor foi prossecutor. Disso eu
não me esqueço e isso sim foi humilhante...não para um indivíduo só (o
tal) mas para todo um povo. E se é suposto, depois de tudo isto e se se vier a provar
a sua culpa (ainda que, até prova em contrário, seja sempre inocente – deixem a
justiça trabalhar!!), criarmos um mártir deste indivíduo apenas porque...”ah e tal, é a opinião generalizada”...então
não contem comigo, porque nesse caso, e fazendo-se jurisprudência “social e
comunitária” para outros semelhantes, tenho a infelicidade de afirmar que Portugal tem apenas aquilo que merece .
Mais cego é aquele que não quer ver, ou, perante os fatos
irredutíveis, teima em não querer acreditar