sexta-feira, dezembro 19, 2014

E se a TAP fosse minha?! Perguntou o Zé Manel...

Ok...se eu desconsiderar que uma grande parte dos pilotos de linha da TAP saíram da Força Aérea Portuguesa (FAP - estrutura essa paga, também, com os meus impostos); se eu desconsiderar que esses mesmo pilotos chegaram onde chegaram porque existiu uma FAP que lhes “deu” esse mesmo curso (sim porque, até hoje, desconheço que algum militar tenha de pagar para exercer as suas funções ou cursar o que quer que seja – piloto incluído, óbvio); e se eu desconsiderar que o país atravessa inúmeras dificuldades sendo que as empresas publicas (TAP incluída) representam, hoje, um ónus enorme sobre os cofres do estado não sendo liquido, nem tão claro quanto isso, que continue a existir uma “obrigação” da parte do estado para manter (vulgo: “sustentar”) tais estruturas – então mas porque carga de água é que EU (vulgo: portugueses no geral) tenho de continuar a pagar impostos cuja parcela vai, diretamente, para esta mesma empresa publica?

OK...então agora vamos considerar tudo isso...por partes:

O estado anda anos a pagar (nem imagino o valor/ militar, mas acredito ser aberrante) a formação de pilotos cujo principal objectivo (pessoal) acaba quase sempre  (“quase” porque acredito que nunca devamos generalizar) por ser o mesmo – vir a ser piloto (comandante ó faxavôr) de linha de uma companhia aérea comercial, onde a TAP surge sempre á cabeça. Até aqui, exceptuando o facto de acabarem por deixar a FAP por vias menos explicitas o que, de certa forma, deixa no ar alguma falta de consideração (para não dizer honestidade cívica e lealdade para com quem os carregou), tudo me parece perfeitamente (a)normal!

Também me parece ser interessante, numa altura como a que o país atravessa e conhecendo os resultados financeiros menos satisfatórios da companhia aérea, saber que o salário médio de um piloto ronda os 8.600€ (mas....eles não eram igualmente “funcionários públicos”?! ah...ok...entendi...só para algumas situações), o que significa que os mais novos (aqueles...acabadinhos de sair da FAP para quem a “vocação militar patriótica” deixou de existir assim que ganharam o canudo e serviram uns míseros anos) podem auferir um pouco mais que 5.000€ (tenham calma que já lá chegam) e os Senhores Comandantes Seniores podem levar para casa mais de 10.000€ (ora...o salário médio português rondará os quê...800-900€ ?!). Para mim continua tudo a parecer-me perfeitamente (a)normal, e nem vou entrar naquela coisa estranha que diz que familiares diretos e outros que tais podem voar X vezes/ano á conta do orçamento, porque é um direito que lhes assiste.

Agora aquilo que realmente me incomoda, e não percebo porque ninguém alude á questão é o seguinte: porque raio é que nunca ninguém me perguntou “olha lá...tu importas-te de continuar a pagar impostos que, entre outras coisas, continuarão a sustentar esta empresa e as mordomias de alguns dos seus colaboradores, à cabeça, pilotos?! sabendo que as funções basilares de um estado deverão ser garantir a Saúde, Educação, Justiça, Segurança e Funções Sociais?!” A resposta parece-me demasiado óbvia para a apontar...mas se continuam a existir pessoas que acham que o dinheiro cai do céu, ou que vivemos numa redoma isolada do resto do mundo onde a economia global não existe sequer, ou até mesmo que julguem que a TAP se sustenta a si própria sem qualquer interferência do estado (€€€€€)...então muito mal vamos.


Já que PAGO...logo EXIJO que os meus impostos paguem professores, médicos, juízes e polícias! Se me perguntarem onde se encaixam os pilotos na minha lógica? Responderei: no quadro de pessoal da Aero-coiso-e-tal-xpto S.A.

Já agora...vale apena ler isto

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